ALMA ACREANA > Isaac Melo

"OUÇAM, ESTÚPIDOS DE GRAVATAS E PALETÓS, SENHORES DO PETRÓLEO E DA BUFUNFA, NO FIM REINARÁ A JUSTIÇA, O MUNDO SERÁ DAQUELES QUE AMAM, ISTO É, DOS POBRES E ESFARRAPADOS, QUE UM DIA VÓS EXPLORASTES." I.M.

ALMA ACREANA > Isaac Melo

"OUÇAM, ESTÚPIDOS DE GRAVATAS E PALETÓS, SENHORES DO PETRÓLEO E DA BUFUNFA, NO FIM REINARÁ A JUSTIÇA, O MUNDO SERÁ DAQUELES QUE AMAM, ISTO É, DOS POBRES E ESFARRAPADOS, QUE UM DIA VÓS EXPLORASTES." I.M.
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Arquivo de: Março 2008

31.03.08

CLAMOR DE PROFETA

                                       Clamor de profeta

                          
                                            (In memorian Dom Hélder Câmara)




Hélder, Hélder
O mundo clama!
O mundo chora!

Oh, profeta!
Oh, irmão dos pobres!
Mostrai uma luz para os povos que caminham
Na escuridão de seu próprio egoísmo.

Hélder,
Esqueceram que a última palavra não é
A da morte, por isso, muitos
Caminham desorientados e desesperançados como
Se estas palavras não valessem mais nada:

“Tenham coragem, Eu venci o mundo!”

Hélder,
Um grande pessimismo toma conta de teus irmãos que aos poucos
Perdem a fé e a vontade de viver lhes fogem de seus olhos:
Olhos que lacrimejam dor, fome, injustiças...
Olhos vendados para não enxergarem
Os braços estendidos do Pai,
Que chora, porque um dia também
Mataram o seu Filho Único.
Hélder,
Os filhos de Deus são massacrados pelas guerras, e na maioria delas (isso que é o pior de nossos piores escândalos) por aqueles que se dizem cristãos e seguidores daquele que viveu e disse: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. E proclamou: bem-aventurados os que promovem a paz.

Hélder,
O mundo evoluiu!
Estamos em pleno progresso.
Viva a modernidade!!!
No entanto,
Morrem ainda milhares de crianças de fome, não porque falta alimento,
Mas porque estamos ricos do mais nobre egocentrismo. E não é apenas a fome física que mata, há outras centenas de fomes que escravizam e mantém os povos numa condição nem digna de ser chamada de humana.
Ah, Hélder
Nós nos amamos tanto, que só enxergamos a nós mesmos!

Hélder,
Os rios, as águas... a natureza
(criação maravilhosa de Deus) também sofre:
Fazem-se barragens,
Transposições,
Derrubam-se,
Queimam!

Põem-se os lucros dos bois e da agricultura de grande porte
Como grandes e os melhores investimentos,
E o país progride:
Maravilhados estufam o peito e proclamam-se os maiores
Exportadores de grãos do mundo, Hélder, do mundo...
Enquanto, que mais da metade da população é avassalada pelo
Fantasma da miséria e da pobreza.
Hélder,
No entanto, o Sol da Esperança levanta-se todos os dias:

Novas crianças nascem, e com elas a esperança de um novo dia;
As flores insistem em perfumar e embelezar nossas vidas;
As mãos sofridas ainda entrelaçam-se, em sinal de comunhão e fraternidade;
O sorriso continua a desafiar o pessimismo de nossa face;
O olhar, ainda é o espelho da alma, e, é com ele que queremos
Enxergar o que há de mais belo em cada pessoa.

Hélder,
A última palavra ainda é a de Cristo:
(<<<É a da Vida!>>>) 


(Todos os poemas de autoria de Isaac Melo, estão registradas em cartório, para questão de direitos autorais. Em caso de descumprimento, sujeito as penalidade da lei.) 





                                            
         

15.03.08

filme “Filhos da Esperança”

Comentário acerca do filme “Filhos da Esperança”


Título Original: Children of Men
Gênero: Ficção Científica
Duração: 109 min.
Ano: EUA/Inglaterra - 2006
Distribuidoras: Universal Pictures/UIP
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón e Timothy J. Sexton
Site Oficial: www.childrenofmen.net


O filme “Filhos da Esperança” apresenta um enredo muito rico e interessante do ponto de vista filosófico. Narra a história num futuro, onde a humanidade sofre com a esterilidade, não há mais crianças e todas as mulheres estão estéreis. O filme é impactante.
O enredo da história do filme se dá na Inglaterra do ano 2027, praticamente o único país do mundo que ainda não caiu nas garras da revolução. Para demonstrar essa realidade o filme mostra inúmeros imigrantes enjaulados. O mundo é impactado pela notícia da morte do jovem Diego Ricardo, o ser humano mais novo do planeta com apenas 18 anos, já que misteriosamente todas as mulheres haviam se tornado estéreis. No meio de toda essa comoção, Theodore Faron (Clive Owen) tentando levar seus dias do jeito mais tranquilo possível, dentro de um mundo prestes a ruir, vê sua vida dá uma reviravolta, quando é seqüestrado pela ex-mulher (Julianne Moore), ativista de um grupo revolucionário chamado “Os Peixes”, para lhes fazer um favor: conseguir uma documentação para a jovem Júlia, a única mulher grávida do mundo, chegar à costa marítima sem ser presa pelo governo.
Uma das cenas mais significativas é quando Theo encontra Júlia no curral em meio às vacas e lhe revela a sua gravidez. A genialidade da cena está no contraste de apresentar a vida como um mundo calmo como os da vaca, enquanto o mundo dos homens é atormentado pelas guerras, pela violência. A partir daí, Theo assume a missão de levar a jovem ao seu destino que é encontrar o barco do Projeto humano, onde ela estará à salva. Nessa caminhada a jovem tem bebê, e passa a enfrentar as maiores dificuldades.
Outra cena interessante é a do barco, quando os dois chegam ao destino, eles não têm nenhuma noção do que os espera e não sabem se o barco que deveria os aguardar ainda está lá ou não. Nisso, ferido Theo morre, e fica apenas Júlia e a criança no barquinho até avistar o barco do Projeto Humano que os salva.

14.03.08

obra “Antígona” de Sófocles

                                Comentário acerca da obra “Antígona” de Sófocles


Logo após Édipo abdicar do trono, assume o reinado o irmão de Jocasta Creonte. Quando Édipo foi afastado da cidade Antígona, sua filha, acompanhou-o para cuidar dele e poder guiá-lo na sua cegueira; Ismene, a outra filha, ficou em Tebas, encarregada de zelar pelos interesses do pai e mantê-lo a par de todos os acontecimento que diretamente lhe interessassem. Depois da morte de Édipo, Antígona e Ismene que estava com ele foram mandadas de regresso à sua pátria. Ao chegar a Tebas, encontraram seus dois irmãos, Polinices e Etéocles, disputando a cidade.
Tirésias, dirigindo-se a Creonte, anuncia-lhe que Tebas só será salva após a morte de Menoeceu, seu filho. Chocado Creonte pede para o filho fugir do país, mas, no ele, Menoeceu dirige-se ao campo de batalha, onde rapidamente é morto. Apesar da batalha ambos os lados não tinham grandes vantagens um sobre o outro. Por fim ambas as partes entram em acordo: que a querela se decidisse com um combate entre os dois irmãos. Se Etéocles vencesse, o exército argivo se retiraria, se fosse derrotado, Polinices seria o rei. Nenhum venceu, mataram-se um ao outro. Mas a luta nada decidira e a batalha recomeçou.
Os tebanos acabaram por vencer e dos setes campeões apenas Adrasto escapou. Mas Creonte tomou posse de Tebas e proclamou uma lei segundo a qual todos aqueles que tinham combatidos contra a cidade e não seriam sepultados. Etéocles seria enterrado como nobre, enquanto Polinices seria abandonado à voragem das aves de rapina e quem o sepultasse seria condenado à morte. Horrorizadas Antígona e Ismene tomaram conhecimento da decisão de Creonte. Ismene argumenta que elas devem obedecer, porque não possuem fossas para lutar, Antígona arrebata Ismene dizendo que vai enterrar o seu irmão porque o ama.
Antígona, no entanto, desafiando as ordens de Creonte vai até o corpo de seu irmão Polinices e o enterra. Indagado pelo rei se não tinha conhecimento do decreto por ele baixado que proibia que enterrasse Polinices, Antígona afirma sim. Creonte a indaga perguntado se mesmo assim ela transgrediu a lei, o que Antígona responde que transgrediu a lei de Creonte e não a lei da justiça, que não são leis nem de hoje nem de ontem, mas de todos os tempos. Nisso aparece Ismene chorando dizendo que tinha ajudado a sua irmã a enterrar Polinices. O que Antígona replica dizendo que Ismene escolheu a vida, enquanto ela a morte.
Antígona é condenada à execução e Ismene, depois disso, desaparece.

obra “Édipo Rei” de Sófocles

                         Comentário acerca da obra “Édipo Rei” de Sófocles


Em poucas palavras podemos, assim, resumir a história de Édipo: o rei de Tebas, Laio, casou-se com Jocasta. Durante seu reinado um oráculo em Delfos do deus Apolo (deus da verdade) avisou a Laio de que ele havia de morrer pelas mãos do próprio filho. Sabendo disso, Laio resolveu se prevenir: mandou atar os pés do filho recém-nascido e abandonou-o numa montanha solitária, onde esperava-se que ele morresse em breve. No entanto, Laio acabou por ser morto e todos estavam convencidos de que o homem que o matara era um desconhecido.
Tebas, depois desse fato passava por um momento crítico assolada por um monstro terrível que devorava os caminhantes, se não soubessem resolver o seu enigma proposto. Nisso chegara a Tebas um desconhecido, homem de grande coragem e inteligência, era Édipo. Ele enfrenta e vence a Esfinge, decifrando o enigma. Em gratidão, os tebanos o elegem como seu rei, e Jocasta a viúva de Laio, casa-se com ele.
Até aqui parece uma história com final feliz. Mas, no entanto o oráculo de Apolo acerca de Laio era verdadeiro. Édipo convoca uma reunião para procurar o assassino do rei Laio, mas é surpreendido quando descobre o que o assassino que ele procura é ele próprio. E que a mulher, com quem casou era na verdade, a sua própria mãe. Junto ao corpo de sua mãe que havia se suicidado ao saber de toda a verdade, Édipo também volta a mão contra si mesmo, mas não para por fim à própria vida. Ele fura os próprios olhos, transformando a luz em escuridão. O negro do mundo da cegueira constituiria um refúgio; era preferível estar mergulhado nele a ver com olhar estranho e cheio de opróbrio o mundo que outrora fora tão belo.
Percebe-se, por fim, que a morte de Édipo está cercada de mistério. Depois de sair para o bosque sozinho, ninguém mais o volta ver. Mas é por meio dessa dor que Édipo é salvo, como é expresso na frase “os deuses, que te feriram, de novo te porão de pé”. Ou seja, não se pode saber como, mas a consagração à dor aproxima-o dos deuses e separa-o do resto dos homens.